Campanha na web não é concurso de popularidade, diz marqueteiro de Obama
Campanha na web não é concurso de popularidade, diz marqueteiro de Obama
O marqueteiro americano Ben Self, um dos responsáveis pela parte on-line da campanha de Barack Obama à Presidência dos Estados Unidos, disse nesta quinta-feira, em seminário em São Paulo, que fazer campanha política pela internet não se resume a acumular "seguidores" em redes sociais famosas, como Orkut, Facebook e Twitter. Ele criticou as organizações que comemoram ter mais "fãs" que os concorrentes e disse que convencer pessoas pela rede não é "um concurso de popularidade".
"O engajamento nesses sites é limitado. Eles permitem que se faça apenas algumas coisas com seus usuários. O que uma campanha quer é levar essas pessoas para o próprio site", afirmou o marqueteiro para colegas brasileiros, em meio a boatos de que irá trabalhar, em 2010, na campanha da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), do PT, à Presidência.
Durante a campanha de Obama, entre 2007 e 2008, sua equipe reuniu mais de 13 milhões de endereços de e-mails cujos proprietários foram responsáveis por cerca de dois terços do total de doações. "Não tenha medo de pedir que as pessoas façam mais", afirmou "Pessoas fazem coisas por organizações das quais elas sentem que participam."
Para Self, a meta de uma campanha eleitoral on-line é envolver as pessoas, convencê-las a votar e convencê-las a falar com outras pessoas. Neste sentido, ele contou que, na rede de simpatizantes criada no site de campanha de Obama, todos eram estimulados a informar o endereço residencial ao Partido Democrata. Com essa informação, o partido mapeava toda aquela região e indicava pessoas influentes com as quais aquele cabo poderia conversar.
O marqueteiro afirmou que esses cabos eleitorais chegaram a receber um vídeo com dados sobre o que poderiam fazer, segundo a legislação eleitoral do país, quando abordassem seus eleitores em potencial. Com essa doutrinação, os democratas chegaram a Estados aos quais normalmente não dariam atenção, como o Texas, considerado historicamente republicano.
O marqueteiro ressalta que a estratégia do plano nacional ajudou também candidaturas de conselheiros municipais e governadores, por exemplo.
Self ressaltou que todas as estratégias criadas por ele foram resultado de "centenas" de tentativas, e que o melhor conselho para os colegas é "jogar ideias na parede até ver qual delas cola". Para o americano, a bem-sucedida campanha on-line de Obama provou que as pessoas "buscam um outro tipo de engajamento on-line". "Mas tecnologia não resolve todos os problemas. A primeira coisa foi criar algo pelo qual as pessoas estejam apaixonadas."
Na palestra, Self ressaltou a importância de que sites de campanhas sejam acessíveis para diversos tipos de pessoas. Ele chamou de "mito" o entendimento de que os jovens dominam a internet e disse que a rede social criada no site de Obama atraiu, na maioria, mulheres de 53 a 57 anos, ao contrário de todas as expectativas.
Entre os pontos que o americano vê como essenciais para a comunicação candidato-eleitor pela web estão regularidade ("ninguém pede alguém em casamento no primeiro encontro"); relevância e autenticidade (a campanha enviava mensagens assinadas "com amor, Michelle" [a atual primeira-dama dos EUA]), além de transparência.
Fonte: Folha Online